Dá para terceirizar?

O outsourcing cresce entre as empresas e movimentará US$ 200 bilhões neste ano. Com o avanço da computação em nuvem esse serviços ainda farão sentido?

Ao pagar uma compra com seu cartão de crédito Diners, o consumidor não faz ideia do caminho que essa transação percorre desde a máquina na qual o cartão é inserido até a chegada, em sua casa, da fatura daquela compra. Trasta-se de uma operação complexa, que envolve miuta tecnologia, poder de processamento e tempo de resposta. Alguns grandes bancos têm optado por terceirizar esse trabalho, para focar em seu negócio principal, a captação de novos clientes e o uso intensivo do cartão. Foi o que fez o banco Citicard, dono da marca Credicard, que contratou a HP para a captura e o processamento de transações feitas como seus cartões de crédito da bandeira Diners Club International.

O sistema terceirizado para as transações foi implantado em junho deste ano. Desde então, todas as compras feitas com os cartões Diners no Brasil passam pelo processamento da HP, responsável agora por ligar todas as pontas da compra: o titular do cartão, o comerciante e o banco. De acordo com Joaquim Silveira, diretor para o segmento de cartões da HP Enterprise Services, para prestar o serviço, a empresa utiliza uma plataforma customizada para o banco.

Para o Citircard, a terceirização traz a flexibilidade que permite crescer sem sustos. A segurança também é importante. “Por se tratar de transações financeiras de nossos clientes, as soluções devem ser ágeis e seguras”, diz Luiz Tamashiro, superintendente executivo de operações de cartões do Citicard.

Contratos como o fechado entre o Citicard e a HP não são casos isolados. Vemos hoje um crescimento da demanda por serviços terceirizados. Segundo o Instituto Gartner, o mercado de outsourcing deverá movimentar 234 bilhões de dólares no mundo em 2011. “A maturidade desse mercado está aumentando”, afirma Lígia Melo, gerente de marketing da Elumini IT & Business Consulting, empresa que fornece tecnologia e consultoria de TI e processos de negócios.

Existem alguns produtos ou serviços de outsourcing cuja demanda vem se destacando, como a terceirização de um determinado processo de negócios, por exemplo. É o que se chama de Business Process Outsourcing (BPO). “O número de solicitações que recebemos para BPO aumentou 77% no primeiro semestre do ano, em relação a 2010”, diz Lígia.

E no futuro? O que esperar da terceirização? Há aí uma polêmica que começa a tomar corpo. Alguns especialistas, como Arjun Sethi, vice-presidente da consultoria A.T. Kearney, acham que a terceirização pode estar com os dias contados. Sethi diz que em cinco anos o outsourcing de produtos e serviços de TI, como conhecemos hoje, pode desaparecer. A principal razão para isso seria a opção das companhias por serviços de computação em nuvem, o cloud computing. “Em um futuro não muito distante” diz o especialista, “esse mercado será dominado por Amazon e Google, além de nomes que ainda nem surgiram, deixando os tradicionais fornecedores em posição delicada.”

Para Luiz Carlos Scheid, sócio da Tecnológica, empresa de gestão de processos de TI e negócios com soluções sob medida, sediada em Blumenau (SC), o cloud computinge a globalização farão com que as corporações busquem soluções de outsourcing no país que melhor lhes convier. “Elas vão optar pelo equilíbrio entre qualidade e custo”, diz.

“O cloud computing certamente mudará a forma de prestar serviços em TI, mas não eliminará a terceirização,” afirma Lígia, da Elumini. “Existem processos que podem, sim, migrar para a nuvem. Mas quando a tecnologia é usada como diferencial competititivo, não vejo informações sensíveis ao negócio sendo entregues a novos players ou a um Google, por exemplo.”

 

Discussões à parte, as empresas dispostas a terceirizar uma parcela de suas operações de TI precisam tomar cuidados extras ao contratar seus fornecedores, Marcus Moraes, vice-presindete da Arcon, empresa de serviços gerenciados de segurança, aponta como fundamental o fato de a organização iniciar o processo de outsourcing com objetivos bem definidos e com um rigoroso critério de avaliação dos fornecedores. Um requisito fundamental é que o prestador de serviços tenha infraestrutura de alta disponibilidade e tolerante a falhas, além de equipes certificadas. A baixa rotatividade dos times técnicos é um item a ser cobrado também, além da capacidade para atender às demandas futuras de crescimento.

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