A 4ª Revolução Industrial

Recorrentemente os profissionais de segurança da informação brincam que CISOs não dormem, pois os que já são muitos desafios, se multiplicam a cada dia. A aproximação da 4ª Revolução Industrial torna todo cenário ainda mais complexo.  Mas afinal que Revolução é essa e o que ela significa?

Em Player Piano, livro de Kurt Vonnegut, o protagonista Dr. Paul Proteus expressa seu medo pelo que uma futura Revolução Industrial seria capaz de mudar na sociedade. Essa ficção científica publicada a década de 50 já previa o caos que seria para a sociedade se adaptar à Era em que as máquinas [e softwares] fossem capazes de “pensar” e desenvolver trabalhos intelectuais, substituindo o trabalho humano nos mais diversos mercados.

 

Revolução Ano Informação
1784 Vapor, água, equipamentos de produção mecânica
1870

Divisão do trabalho, eletricidade, produção de massa

1969 Eletrônicos, TI, produção automatizada
? Sistemas ciber-físicos
As datas acima são marcos históricos do início de cada Revolução. Cada local, porém, teve um desenvolvimento particular com datas distintas. Ainda hoje há lugares que não passaram por estas 3 revoluções

 

Segundo a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, governos, universidades e indústrias precisam se adaptar ao desenvolvimento das tecnologias-chave da Quarta Revolução Industrial, que são elas: inteligência artificial, realidade virtual e aumentada e a Internet das Coisas. Somado a isso, Thomas Philbeck, do Fórum Econômico Mundial, explicou que “com base na espinha dorsal das tecnologias digitais e infraestrutura, a dinâmica emergente da Quarta Revolução Industrial envolve uma convergência de tecnologias e disciplinas, não-linearidade e um ressurgimento do digital nos domínios físico e material”. Em outras palavras, as mudanças são muitas e é essencial refletir sobre o uso das tecnologias e seu atual contexto.

A pesquisadora Meredith Broussard do MIT Lab e autora do livro Artificial Unintelligence: How Computers Misunderstand the World acrescenta um questionamento válido sobre o uso de tecnologias. Os profissionais de TI se orgulham de estarem atualizados e de utilizarem tecnologia de ponta, “o que há de melhor e mais moderno”. Infelizmente nem sempre este é o caso. Muitas vezes as pessoas e empresas aderem e até desenvolvem tecnologias sem refletirem quão boas são elas e se de fato estão facilitando as atividades que já existem. Toda tecnologia existente hoje é produto do trabalho humano e precisa de imputs de dados e updates de profissionais para evoluírem. Logo, tudo de bom e de ruim não é culpa da tecnologia, mas sim, dos próprios profissionais do mercado de TI e suas limitações.

Há uma gana por ser vanguarda no desenvolvimento de TI, como a corrida pela AI perfeita na qual as “máquinas” serão capazes de  pensar e de evoluírem sozinhas sem intervenção humana constante. Nesse cenário, por exemplo, carros autônomos poderiam decidir quem será salvo em um possível acidente baseado-se em algorítimos lógicos. Seria mesmo esse o futuro que a sociedade deseja? Entre as falhas humanas e as falhas técnicas, mesmo as maiores mentes do Vale do Silício estão preocupadas com o futuro que está sendo construído através das tecnologias hoje. Quem assistiu o filme Ex-machina tem uma visão mais clara de que ultrapassar os conceitos do teste de Turing e acreditar que a tecnologia ainda é tecnologia pode ser uma ideia desafiadora e até perigosa. Em 2015, Elon Musk criou a OpenAI, uma organização sem fins lucrativos para desenvolver inteligencia artificial positiva. O objetivo é,  através da participação social, obter um resultado inclusivo, e não exclusivo, aos seres humanos.

 

Desafios as equipes de segurança

Os processos de mudança das tecnologias têm ocorrido cada vez em menores intervalos de tempo. Sinergia é palavra chave para o trabalho do CISO e sua equipe. Segurança da informação precisa ser como a água de um rio - fluida mas forte. É preciso que a SI seja corrente, penetrando em todas as ações digitais da empresa e seus colaboradores, mas difícil de ser [ultra]passada por pessoas externas ou mesmo de outros setores dentro da empresa. Segurança é dar acesso à quem precisa da informação. Dar acesso à mais pessoas que o real necessário é gerar uma vulnerabilidade por alta exposição e que deixar a informação restrita demais compromete a disponibilidade da mesma.

Philbeck traz 4 princípios que caracterizam a 4ª Revolução Industrial e são bons guias para momentos de transformação:

  • Pensar sistemas, não tecnologias
  • Empoderar, não determinar
  • Futuro por design, não por default
  • Valores como uma característica, não como um problema

Esses princípios devem ser adotados por todos gestores que trabalham hoje. Eles apoiam as tomadas de decisão de pequenos aspectos do dia-a-dia a grandes ações por contemplarem a reflexão lógica do atual contexto. Se o contexto muda com frequência, como tem ocorrido, não se pode agir no default, mas sim voltar ao início do processo e refletir novamente. Essa postura promove mais segurança às corporações e indivíduos e, quem sabe, algumas horas a mais de sono para o CISOs.

 

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